terça-feira, 13 de julho de 2010

Humanos, não



Eu não acho que somos tão próximos assim dos macacos. Sempre nós achamos no
topo da criação como anjos decaídos, seres espirituais, animais racionais e,
embaixo de nós, a tigrada. A macacada toda.

Não é o que pensa um filósofo como Nietzsche que considera o pensamento ou a
linguagem apenas um mecanismo de defesa como garras, veneno de cobra ou
cheiro de gambá.

Lacan nos considera bichos com defeito de fábrica, com um buraco entre nós e
a natureza que tentamos preencher com a linguagem, mas mesmo sem papo
cabeça, vamos ver.

Macaco mata sem motivo? Macaco se acha superior. Macaco até mete a mão na
cumbuca, mas não rouba o dinheiro público. Macaco não mente, não inventa
deuses e, pelo que se sabe, não há macacos-bomba, nem macacos com orçamento
militar de R$ 500 bilhões.

Macaco rouba filhote de homem para vender ou por no jardim zoológico como
fazemos com os chimpanzés? Fazer um up grading de macaco não ajuda a impedir
sua extinção.

Macacos são bichos felizes, sem neuroses, integrados a natureza. Não podemos
nos comparar a eles. Seria uma injustiça com os chimpanzés. Se eles
falassem, diriam: Humanos, não.


terça-feira, 29 de junho de 2010

BOICOTE A COPA - 03/07 - EM SIMÕES FILHO!

Clique na imagem para ampliar.

Dia 03/07 em Simões Filho vai acontecer o evento: BOICOTE A COPA, com a apresentação das bandas:
Rancor (www.myspace.com/rancorcrustcore)
Egrégora (www.myspace.com/egregoratao)
Exclusos (www.myspace.com/bandaexclusos)
Alco (www.myspace.com/alcogrind)
Mácula

A ser realizado no Denis Bar (Fim de Linha da Pitanguinha Velha) às 15 horas.

Muita gente se pergunta: Porque boicotar?

Pra mim (Claudio Azevedo), o boicote deve ser feito devido à:
A copa está sendo sediada num continente pobre e num país pobre.
Mais de 3,7 bilhões de dólares foram gastos com essa copa, dinheiro esse que poderia ser revertido pra outros problemas, como educação, saúde...


Espero vocês lá. :D

quinta-feira, 10 de junho de 2010

RESENHA: Siga seu líder!

Levantou poeira!!! (clique na imagem para ampliar)

Domingo, 23/05/2010, acordo 08:30 da manhã, o corpo cansado, a cabeça pesada e uma vontade de não sair da cama. Lembro-me do compromisso que tinha. Levantei, fui até à janela e deparo-me com um dilúvio. Penso: " Não vai ter mais nada!", mas não é bem assim que tudo funciona, então resolvo comer, tomar um banho e ir ao encontro do pessoal, que muito provavelmente, não estariam no local combinado para pegarmos a van e sairmos para o destino do show. Vou ao ponto e lá ainda espero bastante tempo para pegar um ônibus. Já eram 09:40 quando consigo pegar um ônibus. O trânsito estava livre, mas alguns locais por onde passei estavam alagados, o que me fez atrasar um pouco. Fui o último a chegar, e diferente de mim estavam todos felizes e sorrindo. Como conseguem sorrir tanto logo após pouco tempo de acordar? 10:00 hs e a Van chega. Não era Seu João que estava ao volante e sim seu filho (João Júnior, João Filho...). Colocamos nossos instrumentos, nos acomodamos e partimos para Cruz das Almas.

Seguimos a BR - 324, depois passamos para 101, e enquanto tentávamos nos concentrar nas paisagens e placas da estrada, buscando ver quais munícipíos localizavam-se naquela região, nosso querido amigo (leia-se torturador) Danilo (Diante dos Olhos), apossou-se do som da Sprinter e foi comandando a festa com suas músicas incompletas e total indecisão. Começamos com Green Day, passamos por Ratos de Porão, MiniSTEREOpúblico (quase nínguem queria ouvir, acho que só Danilo mesmo!), Projeto Peixe Morto, Jonas, Viados, A Sangue Frio, Fullheart, Lobotomia, Adcional, quando já estávamos a meia hora de chegar ao local Danilo teve a brilhante idéia de tocar a coletânea que fizemos chamada Zumbi Paloso, que conta com 4 bandas da Mini Tour (Demonkrätzie, Nucleador, Derrube o Muro e Homem Meteoro), além da City in Flames. Parece que algo saiu diferente do esperado. Será que o som pifou? Desconfigurou? Alguém apertou repeat involuntariamente? Nada disso, o bicho que tava pirraçando todo mundo e so no fim do rolé caiu à ficha de como aquilo ficou na nossa mente. O desespero foi maior porque repetia os primeiros 40 segundos da mesma musica e acabamos sendo torturados pela repetição contínua do breakdown inicial dessa música ““dududu-dududududu” Resumindo: FOMOS ATÉ CRUZ OUVINDO APENAS ISSO, TORTURA!!! (apertação de mente mode on). Homenagem lógico a Dudu, o dono da tour.

Chegando lá, ligamos para Cláudio (organizador do evento) para sabermos onde era o local do show e sua casa. Conseguimos obter comunicação, comunicação essa que deixou Doriva bastante animado para fazer inúmeros shows em Cruz, e finalmente nos encontramos com Cláudio, que nos levou até sua casa e se mostrou um cara super gente fina. Um cara simples, bastante receptivo e bastante apaixonado pelo que faz e acredita. Foda! Chegamos na hora do rango. Sentamos, comemos e comemos muito. O Rango tava uma delícia (A mãe de Cláudio representou demais!!!!). Depois do rango fomos dar uma volta na praça até o show começar. Morgamos por lá e quando já eram 15:00hs fomos ao espaço passar o som e começar o show. Como essa resenha não dará para eu, Andrei, apenas fazê-la contará com a colaboração de Danilo que agora falará sobre a primeira banda a se apresentar. Espero que a passagem de som de todas sejam evidenciadas! Passo a bola pra Dan...

A HOMEM METEORO - http://myspace.com/homemmeteoro - vai chegando ao palco e o publico já presente no local começava a se agregar para ver o som dos caras. Chega um careca grande na bateria, 2 sem camisa, bermuda floral sendo que um era barrigudo e o vocalista cabeçudo, essa era a Homem Meteoro.
Imagino que o publico rockeiro, quase todos vestidos de preto, figurino clássico num show de rock pesado (entenda-se metal) devia se perguntar são esses caras que tocam metal? Zombie tour? Logo no primeiro minuto de show pode-se perceber que a banda não estava pra brincadeira e confirmou com seu som caótico. O vocalista Andrei mesmo com a voz fudida logo nos seus primeiros sussurros mostrou pra que veio. Parecia que todas as folhas das arvores iam cair e os bichos tinham saído correndo devido a tamanha barulheira (boa por sinal). De bicho só algumas galinhas apareceram no fim do show pra dar um saque no som. Eles tocaram basicamente as musicas do seu EP e algumas novas, onde todas chamaram atenção do publico. Particularmente gostei bastante da formação com apenas uma guitar, Tchanka manda muito bem na guitar e segurou legal. O publico também gostou bastante, a galera agitou, nego batendo cabeça geral, foi irado! Não esquecer que durante a passagem de som da banda, rolou a musica mais tocada da viagem, que iria se tornar o hit do dia por todas as bandas, “dududu-dududududu”

Depois de tocar, magoar o tornozelo sempre lenhado com um deslize no palco de alvenaria do bar Hora Certa, fui à banquinha para descansar e já tinha dito a Dudu que dessa vez eu assistiria o show da DEMONKRÄTZIE - http://myspace.com/demonkratzie -, pois em Salvador eu tinha ficado na portaria e perdi um showzaço. Tendo a total compreensão de Dudu, fui pra frente do palco. Os caras ainda passavam o som (tugudu ta...) e eu já sentia que o negócio ia tremer. O trio estava empolgado por tocar numa floresta, acho que qualquer tr00 metal ia sentir inveja por nunca ter tocado numa floresta, mesmo que tal floresta seja tropical e não gélida. Deixando a enrolação textual de lado, vamos ao show. O trio (na verdade a banda é um quarteto), mesmo sem seu front man Dudu (aju) mostrou-se perfeito na execução de seu set list. Músicas extremamente rápidas, bem tocadas, passeando pelo powerviolence, thrashcore, crossover e acreditem, não é pelo fato do Greg (amigo do Chris no seriado todo mundo odeia Chris) ter uma guitarra rocker, estilo Hellacopters, mas pelos acordes que evidenciam sua influência rocker dentro da porrada sonora que fazem. Totalmente foda! Dudu já tinha citado isso na resenha anterior, mas gostaria de evidenciar os vocais alternados entre graves (Mauricio) e agudos (Silvio). O bagulho ficou legal. A banda poderia ter três vocais agora, né? Lembrando que Adriano também cantou uma música. Por que a Demon não faz que nem o Titãs? Todo mundo canta na banda. Acho válido. Espero que considerem isso, ok?! Voltando para o show. Eles mostraram muito entrosamento nas músicas antigas, gravadas no "disquin" maneiro deles, e nas músicas novas também mostraram tais qualidades, além das novas influências citadas. Já no final do show, os caras chamam Digão (Derrube o Muro) para fazer um cover com eles. E eu já estava morgado por causa da minha lesão na perna, quando despertei com "Crocodila" (RDP). Digão cantando, mostrando que é um cara versátil e multi instrumentista. Acabado o cover, os caras chamam Diogo (Derrube o Muro e coletivo CEC) para tocar bateria num cover, onde Digão também cantaria, cover da banda paulistana I Shot Cyrus, "Na Lâmina da Faca".
Aproveitando a deixa dos mics de Silvio estarem sobrando, enquanto o mesmo tocava, Adriano (batera da demoncrack) resolve cantar com Digão, e eu, Andrei, também arrisco lembrar o refrão da música... Acho que lembrei perfeitamente!
Pois bem! Ultima música do show dos caras e meu desejo tinha sido realizado. Ver um som foda, em um lugar foda e ainda cantar uma musiquinha com os caras. Essas jams tinham começado desde a HM com Digão tocando estrela do Life is a Lie, e eu, particularmente, acho bacana essa interação entre as bandas.

Encerrado a Demontrio, chegou a hora dos cruzalmenses verem e ouvirem, isso se algum não fosse nocauteado (DOM dá nocaute), a DERRUBE O MURO - http://myspace.com/derrubeomuro -. Hardcore de brau pra brau. Isso mesmo! Os caras se acham braus, acham que o som é de brau e que tocam pra brau. Maravilhoso isso! A realidade é essa, som das ruas soteropolitanas e não de Nova Iorque. A energia do show dos caras é impar, constantemente os dois vocais: Dudu e Doriva, estão agitando com o público, dando e recebendo porrada que nem uma roda de carnaval. Realmente uma mistura de um show do Chicletão com o Sick of it All. A banda é bem politizada e segue a idéia de passar uma mensagem em suas letras que falam de vegetarianismo, homofobia (acho que tocaram bem umas 5 sobre o assunto), dentre muitos outros assuntos. Digão, Dudu e Doriva sempre faziam o grande favor de dizer sobre o que a música queria falar. Clima tenso, Dudu quebra a boca em dois lugares agitando com o público, Doriva está bêbado, não completamente, mas ainda sim bêbado, e a floresta cruzalmense estava transformada em uma verdadeira arena do UFC. Parecia que as árvores eram os corners, o publico degladiava com a banda e a contagem inicial feita pelos pratos de Diogo eram o gongo. Era nítida a sensação de bem estar vista no rosto de Gabriel. Ele estava tocando seu baixo na maior calma, precisão e serenidade baiana, enquanto o bicho pegava. O show mais perfeito que vi deles, acho que a entrada de Diogo (TS) deu uma injeção de ânimo aos caras. Sem dúvidas um misto de fúria, moshs e diversão. No final ainda rolou uma outra jam com a Demon, Nucleador e Derrube o muro, tocando The Varukers, "How do you sleep?".

Murilo teve o trabalho apenas de trocar de guitarra, para começar a mandar o thrash/crossover corrosivo da NUCLEADOR - http://myspace.com/nucleadores - Era o último show da mini tour dos caras mas nada de clima de despedida ou cansaço, os caras estavam a postos e começaram com a já característica Intro, seguida da pancada "Municipal Wasted", até eu que não tenho cabelo grande estava balançando os meus!!!Os caras impressionantemente não paravam entre uma música e outra, tudo coladinho e coeso. Como verdadeiros representantes do crossover mandaram um cover do D.R.I, aba reta total!!!!E no meio do show, Petoh (O mais empolgado do rolê) furou a pele do bumbo, nada que tirasse o brilho da apresentação dos caras, muito pelo contrário serviu até de um descanso para banda, porém Murilo mostrava todo seu conhecimento em trilhas de desenhos animados enquanto o pessoal dava um jeito na bateria. Ok, bateria pronta, voltemos a destruição!!!Seguindo o ritmo da primeira metade do show, uma música colada na outra sem pausas. Eis que uma rapa de doido sobe ao palco, era a galera das outras bandas que retornariam a Salvador de van se despedindo dos caras, mas algumas poucas músicas e finda-se o show da Nucleador.

Porém o clima Thrash perdurava na van, pois voltamos ao som das guitarras ultrathrashers de Edcity e sentindo o odor dos peidos corrosivos de Doriva, mas o show havia acabado apenas para gente, pois o clima em Cruz das Almas havia fechado, pois a banda Unprosperity subia ao palco, para descrever essa apresentação nosso anfitrião Claudio:

Depois de 4 apresentações fantásticas, eis que sobe ao palco a anfitriã UNPROSPERITY - http://www.myspace.com/unprosperity - trazendo sua essência Dark Metal. Esta com uma difícil missão: continuar a perfeição das outras apresentações. A Unprosperity que conta com membros já conhecidos do cenário cruzalmense Wederson Oliveira (guitarra e voz), Idno Death (batera) e mais Jamille Lust (guitarra e teclado) e Joilson Necronomicon (baixo). A banda fez sua primeira apresentação depois do lançamento da demo "7º Portão" em fevereiro de 2010 e incendiaram o palco colocando os bangers pra gladiação executando muito bem as canções. A horda começou o show com a música “Morto no mar” mostrando logo de cara sua melodia e brutalidade e confirmando em alto nível as expectativas geradas com a repercussão da demo. Em seguida entrou o teclado da sombria melodia “Tempo dos infiéis” que traz uma perfeita sintonia com a letra. Mas o melhor estava por vir, quando a banda “abriu o 7º Portão” o público viu de perto toda a destruição sonora e ainda pode cantar o refrão junto ao palco. Para manter o clima infernal a banda executou grandes clássicos do Metal para êxtase de qualquer headbanger “Midnight Queen” da banda brasileira Sarcófago e “Morality of a Dark Age” do Rotting Christ, grandes fontes de inspiração da Unprosperity. A apresentação ainda teve a diabolicamente sedutora canção “Sereia” (da demo) e como era de se esperar, foi muito bem recebida pelo público. No fim, ficou a sensação de satisfação para aqueles que marcaram presença nesse histórico evento.

Retirado do blog: Toma na cara HC - Isso é pra quem ainda acredita!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

SIGA SEU LÍDER - 23/05


Cruz das Almas, considerada como a Cidade do Rock, mais uma vez dá um passo enorme na cena “Rock’n Roll”... Depois de festivais grandes e de sucesso com bandas conhecidas internacionalmente (como Amordazados [Venezuela], Warcry [EUA], Escato [Brasil]) ela continua firme e forte fazendo mais festivais; dessa vez quem vem aprimorar a cena rocker de Cruz são os caras de Aracaju. É isso mesmo, 2 bandas de Aracaju vão abrilhantar o festival (Siga o seu líder!) em Cruz.
As bandas da noite serão:
Nucleador (Aracaju-SE) www.myspace.com/nucleadores: Formada no início de 2008 fazem um som ‘brutalmente tóxico’. Um verdadeiro thrash/crossover, seguindo a linha de bandas clássicas e conhecidas como Municipal Wast, D.R.I., Sodom... Os meninos mandam ver, tocando muito rápido, com uma energia empolgante e um som fudido! Vão espalhar radiação em Cruz das Almas.

Demonkratzie (Aracaju-SE) www.myspace.com/demonkratzie: Vêm mostrar para sociedade civilizada como é viver em meio a merda e esgoto. Trazendo muita escatologia, e Thrashcore/Powerviolence como jamais foi feito no Nordeste. Toque rápido, ou morra!

Homem Meteoro (Salvador) http://myspace.com/homemmeteoro: Se a Nucleador representa o espírito Zombie, a Homem Meteoro trará ao evento tudo de mais escroto e sujo feito na sétima arte. A inspiração maior dessa banda são filmes B e claro, o doente e maníaco Tarantino.

Derrube o Muro (Salvador) http://myspace.com/derrubeomuro: Saindo das covas imundas e fedorentas de Salvador, a Derrube o Muro não é promessa de nada é só chegar junto pra ver qual que é. Hardcore simples e direto. Sem preconceito, é claro.

Unprosperity (Cruz das Almas) http://myspace.com/unprosperity: Surgida em 2009 com idéia de membros de bandas conhecidas como Lost in Hell e Cross Of Souls, a Unprosperity faz um som dark metal, inovando tudo no cenário local... E vem para esse show com uma novidade, o lançamento de sua Demo intitulada 7° Portão. Lá no evento você poderá estar adquirindo esse material.

Exclusos (Cruz das Almas) http://myspace.com/bandaexclusos: Como sempre, fazem aquele som simples e cru, com idéias anarquistas, colocando a revolução em cada palavra. Alguns titulam como punk, outros como hardcore, outros como crust e alguns até com grindcore, mas a banda prefere ser chamada somente de anarcopunk. Simples e direto.

NUCLEADOR (SE) - www.myspace.com/nucleadores
DEMONKRATZIE (SE) - www.myspace.com/demonkratzie
HOMEM METEORO - www.myspace.com/homemmeteoro
DERRUBE O MURO - www.myspace.com/derrubeomuro
UNPROSPERITY - www.myspace.com/unprosperity
EXCLUSOS - www.myspace.com/bandaexclusos

EM CRUZ DAS ALMAS
DIA 23/05/2010
ESPAÇO HORA CERTA (EM FRENTE A GARAGEM DA COFEL)
INGRESSOS: R$ 5,00
A PARTIR DAS 14 HORAS
VENDA DE MATERIAL LIBERTÁRIO
AJUDE, COMPAREÇA AOS EVENTOS!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Manifesto Contra a Anistia aos Torturadores!



A algum tempo atrás, enviei minha assinatura ao "Manifesto Contra a Anistia aos Torturadores", onde lutava para a punição dos torturadores, especialmente na época da Ditadura. Hoje recebi o seguinte e-mail:



Olá

Subscritores(as) do Manifesto Contra a Anistia aos Torturadores!

Cada um dos 21 mil subscritores deu a sua contribuição para o fortalecimento da democracia e o manifesto foi juntado ao processo com todas as assinaturas, mas, lamentavelmente, o Supremo Tribunal Federal negou punição para os torturadores da ditadura.

Os ministros Carlos Ayres Britto e Ricardo Lewandowski votaram favoravelmente à punição e disseram que os crimes comuns não podem ser beneficiados pela anistia.

A decisão do STF foi na contramão do fortalecimento do sistema democrático, de respeito aos direitos humanos, ao contrário das ações dos outros países da América Latina e em choque com as decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos/OEA, do qual o Brasil faz parte e que tem audiência marcada para os próximos dias 20 e 21 de maio, no primeiro caso da ditadura militar brasileira.

Convidamos todos e todas a estarem presentes no

ATO PÚBLICO para manifestarmos pelo fim da impunidade dos torturadores

Dia: 18/05/2010 às 14h30

Local: Pateo do Colégio (estação Sé ou São Bento do Metrô), em São Paulo

Temos à frente o julgamento a ser realizado pela Corte e o Estado brasileiro, que assumiu compromissos internacionais, poderá construir um país, em que a dignidade humana seja efetivamente um valor.

A impunidade da tortura de ontem fomenta a tortura de hoje.

Contamos com sua presença!

Convide seus amigos e familiares!

Avise no seu twitter, blog, etc.

Comitê Contra a Anistia aos Torturadores








Como acontecerá em São Paulo, fica muito difícil do "Autonomia e Autogestão" comparecer mas fica aqui o informativo pra quem mora perto.
Só vou deixar uma imagem aqui do cartunista Carlos Latuff, pois como dizem "uma imagem vale mais que mil palavras":

terça-feira, 11 de maio de 2010

A Miséria em Primeiro Lugar

Visitada em agosto de 1998, Tapera é considerada pela ONU como a cidade mais pobre do Brasil. Sofre com a seca de Alagoas, apesar de estar a 20 km do Rio São Francisco, e possui uma taxa de mortalidade infantil quase igual à de Angola.

José Bezerra perdeu seis filhos por causa da seca

Maria deu à luz sob o olhar insuspeito de uma vaca e um jegue - figurante sempre presente nessas ocasiões há quase dois mil anos. José acompanhava a cena de perto, amparado pelas paredes de barro e um cigarro de palha. A fumaça esbranquiçada fugia pela porta e fundia-se à paisagem queimada de sol. A pele do bebê à lavoura, que morreu ainda no pé por carência d`água. Mal presságio. Ao contrário da outra criança - do outro José com a outra Maria - não recebeu reis, muito menos presentes. Contudo, para ambos o destino deu-se logo a conhecer.

Os anos se passaram e ela cismou em ficar do mesmo tamanho. Talvez por causa da água e da comida. Ou da falta de ambos. Certo mesmo é que adoeceu. O pai, desesperado, correu de um lado para o outro e levou-a para se tratar. Diarréia, disenteria, olhar longo, profundo, perdido. Os doutores fizeram o que podiam e mandaram-na de volta para casa. Naquela tarde, rastejou pelo chão da sala, agonizando. Maria avisou ao marido que a criança estava indo embora. Mas sabiam que de nada adiantaria, pois há tempos a fome vinha comendo-a por dentro. Então, José, resignado, foi à cidade fazer a única coisa que estava ao seu alcance: pedir uma caixão emprestado. Quando voltou, a filha já estava morta.

Essa cena se repetiria mais cinco vezes na vida da família Bezerra. Assim como eles, muitos Josés e muitas Marias têm enterrado a fome de seus filhos pelo nordeste brasileiro, castigado com uma das piores secas das últimas décadas. Essa história tem sido uma constante nos últimos anos no município de São José da Tapera, sertão das Alagoas.

No ano passado, a Organização das Nações Unidas divulgou o ranking do Índice de Desenvolvimento Humano, o IDH, de quase cinco mil municípios do país. São José aparece em último lugar, com uma taxa de mortalidade infantil de 147,94 mortes por 1000 nascidos. Para se ter uma idéia do que é isso, Angola, país há quase 25 anos em guerra civil, coberto por nove milhões de minas terrestres e que foi recentemente considerado pela ONU o pior lugar para uma criança viver em todo o mundo, apresenta uma taxa de 170 para mil.

Quem visita o centro urbano de São José da Tapera não imagina que essa é uma das cidades mais pobres do Brasil. Banco, farmácias, mercados, feira livre. Uma bela praça, parque infantil, lanchonete. Porém, lá vivem menos de 20% dos quase 30 mil moradores. O resto está espalhado em aproximadamente 60 povoados, neste que é o segundo maior município do estado. A família Bezerra mora em um desses vilarejos, Furnas. Na verdade, um amontoado de pequenos sítios onde dezenas de casas de taipa e madeira salpicam a paisagem, habitadas por alguns barbeiros e muitas pessoas.

Falta água, falta emprego

O único braço de água que atravessa Furnas e região chama-se Riacho Grande: largo, sinuoso, longo... e seco. Assim como em todo o sertão, um rio temporário que existe quando há chuvas, ou seja, quase nunca. A maioria das comunidades não dispõe de poços artesianos e são obrigadas a cavar cacimbas no leito seco para conseguir alguma coisa. Por azar, devido a depósitos minerais, a água, barrenta, sai salobra da terra.

Até pouco tempo atrás, essa água era utilizada para beber, lavar roupa, fazer comida e alimentar o gado. Problemas de saúde era o que não faltava, principalmente entre as crianças, com o organismo já fraco devido à fome. Em esquema de emergência, o Exército junto às autoridades locais têm levado caminhões-pipa aos locais mais atingidos pela seca. No Estado de Pernambuco, trens partem carregados de água em direção ao interior para tentar suavizar a situação.

A Visão Mundial, entidade internacional de assistência, construiu 35 cisternas na região, reservatórios de alvenaria com capacidade para 10 mil litros. Várias famílias têm então que se virar com essa quantidade por meses a fio até que o próximo carregamento chegue. Teodoro Félix da Costa e sua mulher Maria Rita foram os primeiros a receber a cisterna em sua comunidade. "Eu buscava água salgada até três meses atrás. Criança já chegou a morrer por causa dela". E ele sabe de perto o que é isso, uma vez que perdeu quatro filhos - todos com menos de um ano de idade.

Porém, essa água não é suficiente para a agricultura, quase que de forma exclusiva dedicada à subsistência. O céu ainda é a única fonte de irrigação para essa gente. Em junho, chamado por lá de "mês de São João", choveu um pouco, esverdeando a paisagem. Plantações foram feitas, esperando que a água continuasse. Infelizmente, não continuou e boa parte da colheita ficou comprometida. Os produtos mais cultivados são o feijão e o milho. Cena comum são os milharais que permaneceram baixinhos, espigas nanicas ainda em fase de crescimento. Quem conseguiu tirar algo do roçado, por pouco que seja, está satisfeito. Há famílias que perderam tudo e agora esperam a divina providência ou a ajuda do governo.

Maria Aparecida com os filhos desnutridos

Maria Aparecida Corrêa e seu marido Adeído são um exemplo. Os dois e mais sete filhos dividem uma casa de um só cômodo com uma só cama, feita de pau-a-pique. A cozinha se resume a uns tijolos no lado de fora da casa. E nem precisaria de muito mais, pois o feijão, dieta única, é pouco. Quase todas as famílias comem feijão no almoço, feijão no jantar e caldo de feijão no café da manhã. Quando conseguem, colocam uma carne e uma farinha. Mas, em alguns lares como o de Maria Aparecida, mesmo o feijão três vezes por dia é raridade. Um bom indicador são os filhos. O menor, de um ano, está com cinco quilos de peso. A desnutrição também ataca a outra filha do casal, com dois anos, olhos fundos, cabeça grande, bracinhos finos.

Com o roçado perdido, Adeído está atrás de serviço. Emprego não há, tanto no comércio do centro urbano quanto na prefeitura, que já emprega muito mais gente do que poderia. De vez em quando, abre uma vaga para trabalhar em alguma fazenda, como a Jequiá, cortando palma (uma espécie de cacto que serve de ração para o gado), fazendo cerca, processando palha de milho. "Só que eles pagam três contos secos (R$ 3,00) por um dia inteiro de serviço e os patrões não dão nem a água para beber. E no final do dia, você fica tossindo pó", reclama José Bezerra. Adeído estava disposto e bem que tentou, mas ainda não havia conseguido vaga para ganhar os três contos secos.

Como em "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Mello Neto, há muitas Marias. Boa parte, afilhadas também de Maria, também mulher de José, porém com um filho famoso que não morreu de desnutrição. O marido da irmã de Maria Aparecida, Maria de Lurdes, está trabalhando em um desses bicos. Enquanto Antônio passa o dia fora, ela fica em casa cuidando dos oito filhos. Bem, eram nove até meados de agosto quando o caçula morreu. Magro, com as costelas tentando sair para fora da pele. Talvez se o pseudo-emprego tivesse chegado antes a história teria sido diferente.

A história também poderia ter sido diferente se as cestas básicas distribuídas pelo governo federal não tivessem sofrido um atraso em todo o país. Da mesma forma, a verba destinada às frentes de trabalho não aparecem em São José da Tapera há muito tempo. De acordo com Antônio Benedito Júlio, dono de um sítio e um dos beneficiados, o valor do auxílio caiu de R$ 80,00/mês para R$ 65,00/mês- metade um salário mínimo. Famílias com 10, 12 pessoas que conseguiram ter apenas um membro inscrito têm que fazer mágica e se virar com isso. De acordo com a prefeitura, em 1983 havia 11 mil nas frentes de trabalho. Hoje, esse número foi reduzido para 2 mil. Os moradores da zona rural arranjaram um apelido para essa ajuda econômica, "magnu, pois com ele e você fica magro ou você fica nu".

Maria de Lurdes: a hipertensão é comum na região

Agentes de saúde


Outro problema que Maria de Lurdes enfrenta é o coração. "O médico do posto de saúde me disse que, se eu tiver outro filho, eu posso morrer." Problemas cardíacos ocasionados por má alimentação, além de estresse e hipertensão são freqüentes. E de quebra, a doença de Chagas que muitos possuem e nem sabem. Barbeiros costumam sair meio dia das tocas, principalmente em dias quentes, e transmitir o Trypanosoma Cruzi. Lurdes espera na fila para ir a Maceió e fazer a cirurgia em um hospital do Sistema Único de Saúde.

Contudo, a situação da saúde nessa região do sertão nordestino conheceu uma melhora considerável nos últimos cinco anos, desde a implantação do Agente Comunitário de Saúde. O programa, com verba de Brasília e sem nenhum vínculo político, recruta moradores locais, que recebem treinamento, e visitam regularmente todas as famílias. As crianças são atendidas desde o pré-natal até a adolescência, com vacinação completa e algum controle de alimentação. A multimistura, um complemento alimentar com proteínas, vitaminas, cálcio e sais minerais tem sido distribuído à população para tratar de casos de desnutrição.

Os resultados são animadores. De acordo com Ivete de Barros, professora aposentada e, hoje, agente de saúde, a mortalidade infantil diminuiu desde o começo das visitas. Ainda de acordo com ela, vários vilarejos já não possuem mais casos de desnutrição crônica - aquela que leva à morte. Crianças são pesadas regularmente, tratadas com complemento alimentar e encaminhadas para o posto de saúde quando necessário. O agente trabalha em conjunto com os médicos do Plano de Saúde Federal e com a Pastoral da Criança da Igreja Católica. Trabalham em cooperação às esferas federal, estadual e municipal - fato raro em se tratando da República Federativa do Brasil.

A agente de saúde Ivete de Barros acompanha regularmente o peso das crianças

Nos últimos quatro anos, a mortalidade infantil caiu 30% nos municípios mais pobres do país. A prefeita de São José da Tapera, Edineuza Ricardo, garante que a taxa de 148 para mil, indicada pela ONU, despencou e agora fechou 1998 em 100 para mil. Mesmo assim, bem acima dos 42 da média nacional.

O agente de saúde acaba sendo também um agente de cidadania. Ele entra na vida de cada família, estabelece uma relação de amizade e confiança. Conscientiza a população de seus direitos e deveres, de que pode cobrar soluções ou ir em busca dessas soluções. Noções de saneamento básico, como filtrar ou ferver a água antes de utilizá-la, ou de planejamento familiar vêm se tornando a cada dia parte integrante do universo dessas pessoas.

Crescei e multiplicai

O planejamento é quase inexistente. Encontra-se famílias com 11, 12 filhos. A própria Ivete teve 15. O problema é que o crescimento do número de bocas não vem acompanhado de um crescimento da renda da casa, e sim de um aumento da fome.

Boa parte das mulheres de São José da Tapera já conhecem métodos contraceptivos, orientadas médicas e enfermeiras. Mas a desinformação e o preconceito ainda são grandes, desde casos menores, como a que engravidou por achar que a pílula anticoncepcional deveria ser tomada dia sim, dia não, até a recusa dos maridos em usar preservativos.

Devido à fé do sertanejo, a dicotomia religião versus controle da natalidade transforma-se em um desafio a qualquer projeto que tente mudar o cenário. Por estarem atreladas à Pastoral da Criança, algumas agentes de saúde não estão autorizadas a ensinar outros métodos além do da tabelinha, endossada pelo Vaticano. O padre da cidade, durante o sermão na missa, condena o uso de preservativos, pílula anticoncepcional e a vasectomia ou a ligadura de trompas.

Mesmo assim, muitas mulheres passam por cima do pecado e, arriscando a salvação eterna, querem passar pela operação de esterilização.

Jeíusa Pereira dos Santos é uma delas. Tem 29 anos de idade. Mas bem que poderia ter 45, visto as marcas de um tempo que foi mais severo com ela do que com outras pessoas. Tem também oito filhos (um deles desnutrido), outro no ventre - que deve ter nascido em setembro - e um par de gêmeos que morreu. Porém, seu marido é contra e a ameaça para que ela não leve a idéia da cirurgia em frente.

Às vezes ele consegue um bico de apanhar feno em alguma fazenda do Sítio Antas, povoado em que moram. Porém, a renda da família vem basicamente da fabricação e venda de vassouras de palha de coco aricuri. Andam vários quilômetros sob o sol escaldante para buscar a matéria-prima na mata. Dedicam uma semana inteira na produção de 100 unidades, que depois vendem por R$ 15,00.

A família de Jeíusa é uma das mais pobres de toda São José da Tapera. Durante três anos, viveram em um barraco feito com palha e madeira. Pequeno, com aproximadamente dez metros quadrados, com uma cama de palha que servia de descanso para todo mundo. Quando aparecia uma chuva, motivo de alegria para todo o sertão, era um sofrimento. "Ela entrava por toda a parte e caía cima de mim, dos meninos", lembra-se com água nos olhos.

Jeíusa e o marido: álcool como válvula de escape

Por causa da situação de sua família e do sentimento de incapacidade diante da dor dos filhos, o marido de Jeíusa entrega-se à bebida. Sem ter o que fazer, abraça a garrafa de cachaça, sentado embaixo de uma árvore. Quando o álcool sobe à cabeça, briga com a mulher e os filhos. Já chegou a tentar derrubar a casa que a prefeitura construiu para eles em substituição da palhoça. No dia em que esta reportagem visitou a família, encontrou um de seus filhos desmaiado em meio a moscas, estirado no chão da casa. Ele havia pedido o que o pai estava tomando e entornou pinga. Com estômago vazio.

Como Jeíusa, a maioria da população tem título de eleitor e carteira de identidade - exatamente nessa ordem de importância. A região nordeste é famosa por ter seu povo oprimido e explorado por coronéis, grandes latifundiários que utilizam mão-de-obra quase escrava em seus domínios, mantendo através da violência seu poder e o status quo. Até pouco tempo atrás, São José da Tapera e cidades vizinhas eram dominadas pela família Maia. A população reluta ainda em falar abertamente no assunto, mas o curral eleitoral estava estampado em cada esquina, nos muros pichados com propaganda. Do tio ao primo, da cunhada ao genro. A situação começou a mudar de uns tempos para cá quando Ênio Ricado Gomes, marido da atual prefeita e sem vínculo com os Maia, venceu as eleições municipais. Pouco tempo depois, foi assassinado misteriosamente. Edineuza então resolveu se candidatar para dar continuidade ao trabalho do marido e venceu.

E o mais interessante é que muito poucos sabem escrever além do próprio nome, lembrado apenas nos dias de votação, e de ler o nome dos candidatos, estampado nas urnas eletrônicas. O analfabetismo é grande entre os adultos.

A casa de Jeíusa não tem um móvel sequer. "Não quero mesa, não quero cama, quero trabalho." Apesar de haver acomodados que estão a espera da comida cair do céu, a maioria das pessoas de todo o sertão quer emprego e principalmente quer poder trabalhar na sua roça, cultivar a sua terra.

Ajuda do Velho Chico

Alguns pedem indústrias na região. Algo difícil, haja visto que, apesar da mão-de-obra barata e de possíveis subsídios e facilidade dos governos, a região possui baixo poder aquisitivo. A inexistência de um mercado consumidor e a distância até os grandes centros urbanos é um balde de água fria nos planos de um possível investidor. A indústria mais próxima é ligada às plantações de fumo da região de Arapiraca (AL), cidade já tradicional nesse ramo.

A solução para São José da Tapera parece ser a agricultura irrigável. As condições de clima e solo do semi-árido brasileiro são ideais principalmente para o plantio de frutas. As altas temperaturas e o sol o ano inteiro proporcionam o surgimento de frutas bem mais doces do que as produzidas no Centro-Sul.

E não está se falando apenas de frutas típicas da região, como umbu, cajá, cacau, caju. Manga, melancia, acerola, maracujá, melão, laranja, uva. Os vinhos produzidos no Nordeste já começam a rivalizar em qualidade com os das parreiras gaúchas. Também no sertão, em Juazeiro (BA), o tomate é cultivado pela empresa Cica para a produção de popa, molhos e catchup devido às boas condições de plantio. Boa parte da produção é exportada, gerando empregos e divisas.

O rio São Francisco na altura da cidade de Pão de Açúcar

Pode-se dizer: "mas Juazeiro está às margens do São Franscisco, um dos maiores rios brasileiros". Acontece que São José da Tapera fica a apenas 20 quilômetros do Velho Chico, em um trecho em que ele tem 300 metros de largura.

A contradição, de tão grande, parece surreal. Enquanto as plantações secam, o gado padece de sede e crianças morrem desidratadas, a poucos minutos dali na cidade de Pão de Açúcar, turistas de vários lugares brincam e se divertem em uma praia natural na beira do rio. É desse trecho que a água é captada e enviada por tubos para os centros urbanos de municípios da região. E é nesse trecho que os caminhões-pipa abastecem as caçambas para distribuir água aos povoados carentes. Esse vai e vem é necessário, porém paliativo.

"O político acha bom a seca,pois enche um caminhão de água e sai ganhando voto", afirma José Vinícius Rodrigues, presidente da Associação Comunitária dos Moradores do Sítio Furnas. "Só o dinheiro que o governo gasta com caminhões dava para irrigar esse sertão", desabafa José Bezerra.

Bem, exageros a parte, José não está muito longe da verdade. O projeto para a transposição das águas do São Francisco, que beneficiaria milhões de nordestinos, custaria aproximadamente R$ 700 milhões aos cofres públicos. Uma ninharia levando em conta seu custo - benefício. Captando apenas 3% da água da Barragem de Sobradinho - a maior do país -, o projeto prevê a construção de canais artificiais para abastecer os rios temporários que correm fantasmas pelo sertão além de diques e açudes.

O projeto geraria empregos e criaria estruturas para a região se desenvolver por conta própria, sem depender do assistencialismo do Sul-Sudeste ou das esmolas dos coronéis do Nordeste. E seria uma bela facada nas costas da indústria da seca, vide como alguns políticos chiam ao se mencionar a transposição.

Não significa, porém, que a água vai acabar com a pobreza e transformar o sertão em uma França do dia para a noite. Porém, esse é um grande passo a ser dado se o Brasil quiser reduzir o enorme degrau da desigualdade social. A capacitação da população seria o próximo passo assim como o financiamento para o plantio e a produção. Reduziria o êxodo rural - que, apesar de menor, ainda existe em direção aos centros urbanos, como ainda há moradores das taipas de Alagoas fugindo para as favelas São Paulo. E isso, óbvio, passaria por uma mudança na forma de pensar o país.

Cristo Redentor da cidade de Pão de Açúcar

A solução para São José está mais próxima ainda, uma vez que 20 quilômetros de tubulação não são muita coisa. A vizinha Pão de Açúcar já planta melões irrigados. E o mesmo se aplicaria às cidades vizinhas que vivem a mesma condição surreal. A prefeitura tem um projeto de desviar água de uma adutora já existente para o vilarejo de Antas para tentar o plantio irrigado de tomate e quiabo. Custaria a gigantesca cifra de R$ 8 mil.

De acordo com José Carlos Libânio, um dos responsáveis pela divulgação do ranking do IDH brasileiro, uma nova listagem depende do censo do IBGE, que será realizado no país no ano que vem. Talvez, até lá, São José da Tapera já tenha perdido o posto do lugar mais pobre do país. Ou talvez Tapera nunca tenha sido mesmo o local mais pobre do país e sim alguma cidadezinha escondida nas areias do sertão. É quase impossível quantificar a dor e o abandono.

Contudo, a triste colocação serve para trazer à luz do sol a miséria escondida nas sombras do sertão nordestino. As histórias dos sofrimentos de Josés e Marias vivificam o problema, transformam números, gráficos e dados estatísticos em rostos, sonhos e lágrimas. Traduz a distante expressão "mortalidade infantil", na forma dos cinco filhos de Maria Bezerra, dos gêmeos de Jeíusa, dos quatro de Maria Rita, do caçula de Maria de Lurdes...

Filhos de Jeíusa no povoado de Antas

O Índice de Desenvolvimento Humano

Criado em 1960, o IDH é uma espécie de termômetro usado pelas Nações Unidas para avaliar as condições de vida em todos os países membros da organização. Em um ranking, recebem notas de zero a 1 de acordo com o seu grau de desenvolvimento em três áreas: educação, renda per capita e expectativa de vida. É importante ressaltar que o índice não cria uma hierarquia entre modos de viver diferentes, mas classifica países e cidades de acordo com a qualidade de vida que oferecem aos seus habitantes.

O Brasil é o 79º da lista, em posição considerada de médio desenvolvimento. A primeira posição fica com o Canadá. Em comparação com as últimas quatro décadas, o índice aponta uma melhoria na qualidade de vida do brasileiro, devido principalmente à alfabetização e à redução da mortalidade infantil. O Nordeste é um dos lugares onde essa redução foi mais marcante.

Um levantamento divulgado no ano passado, aponta uma lista das cidades brasileiras utilizando-se o mesmo método do ranking internacional. São José da Tapera aparece em último lugar, com renda familiar per capita de 0,19 salário mínimo. Em contrapartida, Feliz, no Rio Grande do Sul, foi considerada a melhor cidade do país, com 99,6% de suas moradias duráveis e uma esperança de vida em 72,59 anos.

São José da Tapera, Setembro de 1999

quinta-feira, 29 de abril de 2010

ROCK'N FEST (ITABERABA-BA) - 1° DE MAIO!

Clique na imagem para ampliar.

Mais um evento fora e a Exclusos se fará presente.
Dessa vez é num interior da Bahia chamado Itaberaba, a 152 km de Cruz das Almas, aproximadamente 2hs de viagem.
Estaremos lá representando o anarcopunk, no 'dia do trabalhador', passando mensagens anarquistas a tod@s.

O evento será na UNEB (perto da Rodoviária), às 19:00hs e a entrada e gratuita!
Terá a participação das bandas:
Teorema de Mary
Parnaso da Modernidade
Sertões
Pastel de Miolos
Exclusos
Opus Incertum

Compareça aos eventos! Apoie a cena underground!

Beijos e abraços livres a tod@s.