sexta-feira, 5 de novembro de 2010

NEO-ESCRAVIDÃO ESTÁ NA MODA SIM!!! O CASO DA FÁBRICA DE FOGOS DE SANTO ANTÔNIO DE JESUS!



Santo Antônio de Jesus foi conhecida pelo Brasil e mundo como uma das principais cidades onde há fabricação de fogos.
No dia 11 de dezembro de 1998 aconteceu uma explosão onde 64 pessoas foram mortas.
12 anos depois os acusados pelo ‘acidente’ foram condenados... de 8 responsáveis, 5 foram condenados, mas, respondem em liberdade.
O caso é que, mesmo depois do acontecido, há fábrica funciona, até os dias atuais, da mesma forma: na ilegalidade!!! Escravizando funcionários, inclusive crianças, não pagando carteira e não dando a mínima condição básica de segurança.


Fabricação ilegal de fogos segue impune em Santo Antônio de Jesus

A rotina da produção de fogos é mantida inalterada em Santo Antônio de Jesus (a 185 km de Salvador), mesmo após o julgamento de cinco dos oito acusados como responsáveis pela explosão da fábrica de fogos de artifício em 1998 no município, matando 64 pessoas. Hoje, segundo a Associação dos Produtores de Fogos de Santo Antônio de Jesus (Asfogos), 90% da produção se concentra na zona rural da cidade vizinha, Muniz Ferreira, a 25 km de Santo Antônio de Jesus.
Pelas ruas dos bairros Irmã Dulce e São Paulo, em Santo Antônio, é possível encontrar mulheres e crianças na porta de casa fazendo traques de bater ou estalos de salão. Até hoje, os órgãos fiscalizadores não adotaram medida eficaz para a erradicação da clandestinidade. Atualmente, cada trabalhador recebe de R$ 0,70 a R$ 1 para produzir mil traques.
Segundo informações do assessor da Asfogos, José Carlos Toneto, são mais de 50 produtores informais. “A fabricação não vai parar porque é uma das poucas alternativas de geração de renda. O dia em que o governo der condições para que eles se formalizem, a atividade vai gerar emprego, renda e impostos”, ressaltou.
Caminhões e carros pequenos saem distribuindo a matéria-prima para produção do traque de bater e circulam normalmente pelas ruas Nova do Mutum e do Meio, no bairro Irmã Dulce, segundo próprios moradores. No dia seguinte, repetem a operação recolhendo a produção diária.
Difícil identificar os donos da produção. “Estou fazendo traque para uma pessoa de Muniz Ferreira. Esses R$ 10 que ganho servem para comprar pão”, argumenta a dona de casa Antônia dos Santos, 32 anos, no bairro Irmã Dulce. A vizinha dela, Gilza Silva, de 18, diz que “se não fizer traque, morre de fome”.
Dos oito acusados pela explosão da fábrica, cinco foram condenados e três absolvidos, mas estão em liberdade depois que o advogado da família de Osvaldo Prazeres Bastos recorreu da sentença.

FONTE: ATARDE














quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Neo-Escravidão está na moda?

Já faz algum tempo que imagens da fábrica de uma marca com alto-padrão na India, foram divulgadas. A Catwalk têm 130 lojas no país e com público variado, sendo que uma parte dos calçados é destinado ao seleto público da classe A. Os produtos mais populares são importados da China porém a Catwalk também tem fábricas para produzir uma média de 900 pares de calçados por dia e isso com 200 funcionários.

Para conseguir um produto com custo final de sete dólares, a Catwalk utiliza da Neo-Escravidão. Seus funcionários trabalham em torno de 16 a 17 horas por dia, vivendo dentro das fábricas e o lugar onde dormem é o mesmo onde cozinham e trabalham, durante a noite dormem em baixo das mesas. O trabalho é praticamente em troca de comida.

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Você pensa que isso só acontece na Índia e lugares distantes? Pois bem, as pequenas confecções que abastecem algumas das grandes lojas no Brasil também são responsáveis por trabalho escravo. O tráfico de pessoas está interligado com essa rede de escravidão. Os agenciadores oferecem trabalho de costureira em empresas de São Paulo a imigrantes (na maioria bolivianas) e quando aceitam o trabalho, mal sabem ao que serão submetidas. Jornadas de trabalho que chegam a 20h por dia, moram e trabalham no mesmo local, o ambiente é apertado, sujo, os lençóis são feitos por elas com os retalhos que sobram na costura, tendo apenas meia hora para fazer a refeição. Algumas confecções tem até cães de guarda para evitar uma fuga das trabalhadoras-escravas.

As roupas feitas por essas mulheres em regime escravo, vão parar em camelôs, lojas de bairro, shopping e inclusive em grandes magazines. Recentemente a loja Marisa foi ligada a uma confecção que utiliza mão de obra escrava. A Neo-Escravidão acontece em várias instâncias e não apenas em fazendas no interior do Estado como muitos pensavam. É preciso estar alerta e principalmente denunciar. Quando você se cala, passa a fazer parte do problema e não da solução.

Fontes:

Catwalk – custo humano alto;

Escravas da Moda;

Lojas Marisa ligada a escravidão;

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

VOTO NULO DE PROTESTO!


- Através do Voto Nulo de Protesto e da Ação Direta sindical buscar novas formas de enfrentamento e de expressão da população.
- O eleitor tem razão, temos certeza da necessidade de se fazer ouvir a opção do VOTO NULO DE PROTESTO da população.
- Votar nulo é uma atitude consciente de não compactuar com miséria e a opressão que se transforma na morte da população.
- Não existem programas, não existem candidatos, não existem partidos que queiram mudar verdadeiramente a vida, o que existem são interesses de grupos de capitais.
- Todas as maracutaias produzidas pela corrupção dos lobbies dos grupos buscam apropriar-se do patrimônio público em benefício próprio e dos que atuam na política parlamentar ajudando a estabelecer uma ditadura de classe, de dominação econômica, de separação social entre oprimidos e opressores, sendo um forte instrumento de dominação e de divisão entre as pessoas, pelas discórdias que produz.
- Assim como está organizada a sociedade e seu sistema de representação as opções que são dadas ao povo de se expressar através do voto estão servindo apenas para legitimar o Poder Econômico ratificando a miséria, o desemprego e a violência através do aprofundamento do fosso social entre ricos e pobres e a divisão em classes contribuindo para aumentar o número de parasitas sociais.
- Os eleitores estão interessados em melhorar a vida, mas a falta de sensibilidade das autoridades, não permite enxergar que tanto os Votos Nulos, Branco e as Abstenções nas eleições na verdade se constituem em alternativas de Protesto que nada mais significam, se somados, do que a extrema rejeição não apenas aos candidatos como ao sistema econômico e de representação social vigente.
- Outras formas de controle, produção e administração social podem acontecer e a organização proletária já deu uma demonstração disso nos espaços de coletivização e autogestão sindical conquistados na história das lutas sociais. Mostrando que uma sociedade pode ser organizada sem governados e governantes, a partir da sua própria estrutura produtiva pelos trabalhadores sem necessitar de intermediários, assim ampliando a democracia e a força da sociedade civil.
- É muito mais simples organizar as pessoas para enfrentar a questão social que destrói a vida da nação do que convencer meia dúzia de governantes de que o povo tem razão. Essas idéias levam a necessidade de aprofundar um debate sobre não apenas uma mudança na representação social como também na estruturação econômica e administrativa, da sociedade e sua expressão política e Jurídica.

AÇÃO DIRETA, SOLIDARIEDADE, E LIBERDADE

Siga nosso blog do Voto Nulo em:

http://www.grupos.com.br/blog/votonulodeprotesto/

ANARQUISMO E EDUCAÇÃO - LIVRO DE FRANCISCO JOSÉ CUEVAS NOA


O livro Anarquismo e educação, organizado por F.J. Cuevas, já pode ser baixado pela internet. Lançado originalmente em 2003, pela Fundação de Estudos Libertários Anselmo Lorenzo (FAL), a obra de Cuevas está dividida em quatro capítulos: os dois primeiros resumem, de forma curta e precisa, os fundamentos teóricos e a prática revolucionária do anarquismo em tempos recentes; um terceiro que penetra nas teorias anarquistas da educação, e o quarto que se ocupa das experiências concretas de pedagogia libertária e antiautoritária.

Apresentação:
A proposta educativa anarquista não morreu, ainda está aí para quem quiser usá-la adaptando-a aos novos tempos, o que está morto (ou quase) são os desejos de utilizar as abordagens revolucionárias na educação. Hoje há muito mais interesse pelos enfoques micro, psicologistas e tecnicistas na educação, do que por se fazer grandes perguntas acerca da finalidade e do sentido da formação humana.

Portanto, a partir deste pequeno estudo, o autor quer trazer um grão de areia para demonstrar as potencialidades que tem as idéias anarquistas na educação, com a idéia de ir amadurecendo uma proposta para o século XXI de pedagogia libertária que utilize a via dos movimentos sociais para expandir a sua ação cultural transformadora.

Para isso, nos adentramos nas bases teóricas e históricas do anarquismo, e conhecermos as teorias da educação e experiências de ensino de caráter libertário.

Baixe o livro CLICANDO AQUI!

REDISCUTINDO O ANARQUISMO E O SINDICALISMO (SÃO PAULO 02/11 E RIO DE JANEIRO 06/11)

Rediscutindo o anarquismo e o sindicalismo
Palestra com Lucien van der Walt


São Paulo
Quando: 3ª feira (feriado), dia 2/11 às 16h30.
Onde: Ay Carmela: Rua das Carmelitas, 140, Metrô Sé (paralela à Rua do Carmo, travessa da Rua Tabatinguera)
Telefone: 3104-4330.


Rio de Janeiro
Quando: Sábado, dia 06/11 às 14h.
Onde: Centro de Cultura Social: Rua Torres Homem 790, Vila Isabel, Telefone: 2520-7101.

Como chegar: # ônibus – 438, 432, 433, 232, 268, 638. # trem – descer na estação maracanã e pegar qualquer ônibus que passe no boulevard 28 de Setembro. # metrô – comprar o bilhete integração para Vila Isabel, descer na estação São Francisco Xavier e pegar o ônibus do metrô para Vila Isabel. # referências: Escola de Samba Vila Isabel, último ponto do Boulevard 28 de Setembro e Pizzaria Parmê.


O historiador sul-africano Lucien Van der Walt (fundador da Zabalaza Anarchist Communist Front – ZACF) estará no Brasil nos próximos dias eparticipará de eventos para a discussão do livro que escreveu em co-autoria com Michael Schmidt. “Black Flame: The Revolutionary Class Politics of Anarchism and Syndicalism” [A Chama Negra: a política
revolucionária e classista do anarquismo e do sindicalismo] foi publicado pela AKPress dos EUA em 2009 e aguarda publicação em outros idiomas.


Considerado por muitos o melhor livro de história do anarquismo já publicado, “Black Flame” é fruto de um trabalho de 10 anos, possui uma análise global e discute anarquismo e sindicalismo no mundo todo, tanto a partir de uma análise política/sociológica, como histórica. Um dos únicos livros que baseia suas conclusões em análises dos acontecimentos que envolveram o anarquismo e o sindicalismo em todos os cantos do mundo, incluindo o Brasil.


Trata de diversos temas: (re)definição do que é anarquismo, a partir de uma análise histórica bastante completa e não-eurocêntrica; a discussão dos primeiros tempos com as primeiras concepções da análise social; estratégia e tática diferenciando as duas principais linhas do anarquismo, o anarquismo de massas e o anarquismo insurrecionalista; anarquismo e sindicalismo; luta armada e violência; sindicalismo duplo, reformas e debates táticos; organização política anarquista; classe, internacionalismo, gênero, raça e imperialismo.


Para leitores do inglês, ver: https://email.wits.ac.za/exchweb/bin/redir.asp?URL=http://black-flame-anarchism.blogspot.com/


Realização:
Federação Anarquista de São Paulo (FASP)
http://www.anarquismosp.org/

Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ)
http://www.farj.org/

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O PLANETA ONDE OS POLÍTICOS VIVEM

A disputa eleitoral finalmente está fervendo. As campanhas dos dois candidatos para o segundo turno das eleições presidenciais tomam conta da mídia. O debate das ideias de ambos domina o noticiário. Mas... há alguma coisa estranha! Minha televisão deve estar mostrando imagens da campanha presidencial em algum outro planeta. O planeta daqueles candidatos lá na telinha, claro, não tem problemas ambientais.

Os tais dois candidatos praticamente não falaram nada de questões ambientais no primeiro turno. Assim que começou o segundo turno, ambos juraram que eram ambientalistas desde criancinhas. Pagaram um mico gigantesco, quase um gorila, para tentar abocanhar votos da candidata derrotada no primeiro turno, Marina Silva. Mas agora, nem isso. O pouco que eles dizem sobre questões ambientais é constrangedor, só mostra que eles não têm a menor ideia do que estão falando.

Um planeta sem mudanças climáticas

Em que planeta será que eles vivem? No planeta deles, não há mudanças climáticas globais acontecendo. Não há branqueamento dos corais, não há derretimento das geleiras, não há extremos climáticos cada vez mais frequentes e malucos. Não pode ser o nosso planeta, claro. Ninguém parece perceber o maior e mais urgente problema enfrentado pela humanidade como um todo, não só hoje mas em toda a história. Nunca antes na história do nosso planeta vivemos um desafio assim - mas os políticos nem falam disso. É assustador que as pessoas que hoje disputam a presidência do nosso país não tenham preciosamente nada a dizer sobre mudanças climáticas globais.

No planeta deles os frequentes e trágicos desabamentos de encostas, as enchentes, são culpa da natureza, sempre dela que é fácil culpar. Não, não é por causa da destruição das florestas, que segura as encostas e regulariza o fluxo da água – só raramente alguém faz essa ligação tão óbvia. No planeta deles a seca cada vez maior em grandes regiões do país (inclusive, perturbadoramente, na Amazônia) é natural, e não tem nadinha a ver com mudanças climáticas. Nem pensar.

Para não ser injusto, uma das candidatas teve, sim, um envolvimento com a questão das mudanças climáticas globais. Por uma indicação eleitoreira, ela chefiou a delegação do Brasil na recente conferência de Copenhagen. Foi uma nulidade total e nem teria sido notada não fosse sua histórica declaração “O meio ambiente é, sem dúvida nenhuma, uma ameaça ao desenvolvimento sustentável e isso significa que é uma ameaça para o futuro do nosso planeta e dos nossos países”. Pensando bem, seria melhor se não tivesse tido envolvimento nenhum.

Um planeta ecologicamente cor-de-rosa

Em que galáxia ficará o planeta deles? Lá, não há perda de biodiversidade, não há espécies se extinguindo a cada dia. Lá só há boas notícias. O desmatamento da Amazônia diminuiu do último ano. Caiu para “apenas” uns 7 mil km2 por ano – pouquinho, mais que um Distrito Federal - depois de ter sido, por todos os anos anteriores, acima de 10 mil Km2 por ano. No planeta da candidata governista, foi por causa do esforço do governo. Mas no nosso, foi muito mais porque os compradores de carne brasileira no exterior passaram a ser muito mais exigentes com a procedência dessa carne.

No planeta onde eles vivem, nosso país tem uma “matriz energética limpa”. Nossa matriz energética é baseada principalmente em hidrelétricas, que tem impactos ambientais gigantescos e vida útil de poucas décadas mas, claro, fazem a festa das empreiteiras (ver minha crônica “Mais nem sempre é o melhor”, aqui em O Eco). O outro componente principal de nossa “matriz limpa” são os biocombustíveis. No nosso planeta, quando se considera o processo todo – incluindo o CO2 liberado da vegetação natural derrubada para plantar biocombustíveis (caso hoje do Cerrado), mais toda a energia utilizada para o plantio, a colheita, o refino e o transporte – os biocombustíveis produzem tanto ou quase tanto CO2 quanto os combustíveis fósseis (ver “A Nossa Escolha”, de Al Gore). Mas no planeta deles essa “solução” obsoleta ainda é anunciada como grande modernidade. No planeta deles, uma matriz ecológica verdadeiramente limpa não é baseada, como seria no nosso, em energia solar, eólica, geotérmica, das marés e por aí vai – todas partes ínfimas ou inexistentes da matriz energética brasileira.

Um planeta perdido diante do presente e do futuro

No planeta onde eles vivem o governo se gaba de ter tirado milhões de pessoas da miséria e levado outros tantos milhões para a classe média. Ninguém diz que esses números são calculados a partir da renda per capita das pessoas, e a renda per capita tende naturalmente a aumentar com a redução do tamanho das famílias. O Brasil, como vários outros países emergentes, tem sido beneficiado por causa do chamado “bônus demográfico” – ou seja, a tendência acentuada de redução do crescimento populacional por causa da queda de fertilidade nas últimas décadas.

Ao reduzir o denominador (número de pessoas por família), esse processo automaticamente aumenta a renda per capita. Essa queda da fertilidade foi maior nas classes sociais mais desfavorecidas (que tinham maior fertilidade antes), o que por si só levou a um maior aumento da renda per capita nessas classes. A “subida de classes” das pessoas é portanto em grande parte um artefato do bônus demográfico. A desaceleração do crescimento também levou a uma composição etária quase ideal da população, com o máximo de pessoas na idade produtiva. O Lula mais uma vez surfou num mérito que não foi dele, mas ninguém – nem mesmo seu opositor - fala nisso.

Que planeta bizarro o deles. Lá, fala-se toda hora em gerar empregos, e às vezes até se fala em uma tal de tecnologia. Mas ninguém fala da colossal oportunidade de geração de empregos que é desenvolver e executar medidas para mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Um mundo que consiga fazer isso terá que ser muito diferente do que nós conhecemos. Tudo vai precisar mudar – entre outras coisas, as cidades precisam ser completamente remodeladas, pensando menos nos carros e mais nas pessoas e transportes públicos, as construções novas precisam ser energeticamente inteligentes, milhões de construções antigas precisam ser reformadas para serem eficientes também, os modos de fato ecologicamente corretos de gerar energia precisam se tornar norma e não exceção, a distribuição de energia precisa se tornar infinitamente mais eficiente, a biodiversidade e os processos ecológicos do mundo precisam ser urgentemente socorridos e restaurados. Tudo isso constitui um imenso desafio tecnológico e tudo isso precisa de uma colossal quantidade de mão-de-obra, de todos os níveis de qualificação. É todo um mundo novo, e fazê-lo será o principal combustível da economia mundial nas próximas décadas, gerando centenas de milhões de empregos. Mas não no planeta dos nossos candidatos, claro.

Uma triste escolha

Será que esses dois extraterrestres que ocupam nossa telinha são iguais, meros espelhos um do outro? Eu acho que há uma diferença. Serra nunca foi ambientalista, não tem nem cacoete, as questões ambientais parecem ter pouca importância para ele. Mas Dilma, não se deve esquecer, foi o trator da Casa Civil que repetidamente passou por cima de Marina Silva para remover “entraves ecológicos” para as grandes obras. Ela teve um papel importante em um governo que dividiu o IBAMA para enfraquecer as resistências, que perdeu o trem da história em Copenhagen, que investiu como nunca contra a legislação ambiental, e que abusou de um discurso de “sustentabilidade” enganoso e vazio.

Por um lado, sabemos que não podemos contar muito com Serra. Mas pelo outro, sabemos perfeitamente que, nas lutas ambientais e pela conservação da natureza no Brasil, Dilma estaria, como sempre esteve, ativamente contra nós. Não devemos ter qualquer ilusão a respeito disso.

De qualquer forma, que triste escolha! Nossos políticos, a maior parte do tempo, são meros camaleões oportunistas oscilando ao sabor das estratégias dos marqueteiros. Quando conseguem apresentar algo parecido com um projeto para o país, só conseguem falar dos temas-chavões, como saúde, educação, emprego, déficit habitacional, sanemento. No planeta deles, claro, nenhuma dessas coisas depende das questões ambientais. As mudanças climáticas não afetam a propagação das doenças, a ecologia - como cada vez mais a ciência em geral - é um tópico secundário nas escolas, superpopulação não tem nada a ver com desemprego nem com déficit habitacional, nem qualidade da água com saneamento. Mas no nosso planeta, as mesmas questões ambientais que eles tanto desprezam afetam todas essas coisas.

O discurso dos políticos continua sendo completamente centrado na economia. A economia que eles concebem está num vácuo. É como se não houvesse limitações ambientais, como se o planeta não estivesse mudando como nunca antes, como se a biodiversidade e os processos ecosistêmicos não estivessem à beira do colapso. É como se - e este é o maior dos “ses” - nada dessas coisas importasse. Como se nada disso afetasse a economia, a qualidade de vida, a vida em si em todos seus aspectos, das pessoas por quem lhes cabe zelar.

Alguns políticos acreditam ingenuamente na mão invisível de Adam Smith; outros acreditam não menos ingenuamente nas dialéticas simplistas de Marx; outros tantos acreditam apenas em se dar bem. Mas como um todo, com poucas exceções como Al Gore, os políticos não percebem que o mundo mudou. Que o mundo de Adam Smith e de Marx, o do século 19, era imenso, subpovoado e sem as condicionantes atuais. Hoje, a economia não está mais no vácuo, e o crescimento a qualquer custo, que tantas desgraças causou, precisa ser substituído por uma nova visão de nossas relações com o resto de um planeta que ficou pequeno. Mais do que nunca é verdadeira a frase do economista Robert Triffin, “economia é um assunto sério demais para ser deixado nas mãos dos economistas”. Muito menos nas mãos dos políticos, infelizmente.

O abismo entre os interesses dos políticos e os da humanidade

Indo mais longe, podemos perguntar se não é o próprio sistema político que está em descompasso com o mundo atual. A meu ver, a democracia é um fundamento básico para um mundo melhor, e precisa ser protegida a todo custo. Mas a democracia anda precisando ser aperfeiçoada. Está se abrindo um abismo cada vez maior entre os interesses da população e os dos políticos. As pessoas querem ser felizes. Os políticos querem votos. A atividade política tornou-se profissional demais; os políticos manipulam as emoções de seus eleitores com todos os truques que a psicologia e o marketing já inventaram.

Um político fala num crescimento econômico eterno porque está condenado a prometer isso; se não o fizer seu rival o fará e se elegerá no lugar dele. Ele faz aos seus eleitores promessas de benefícios locais, que em questões ambientais tantas vezes se transformam em prejuízos globais e para todos. Ele usa os recursos naturais sem sabedoria porque precisa mostrar resultados em seu mandato, para ser reeleito, enquanto em questões ambientais tantas vezes a ganância do presente devora o futuro. Se o sistema político está cada vez mais desajustado às questões ambientais, está cada vez mais desajustado ao mundo. Quem sabe aqueles dois lá na telinha tenham belos projetos para o planeta deles, seja lá onde for. Mas como qualquer outro planeta, deve ser muito, muito diferente do nosso.

Texto de Fernando Fernandez, tirado do site O Eco.

FEMINISTAS VOTAM NULO!


“Se votar mudasse alguma coisa seria ilegal”
Emma goldman

As eleições no Brasil deste ano são mais uma evidência de que os poucos direitos que temos estão constantemente sob ameaça. Enquanto lutamos pela conscientização de que nós mulheres temos que ter o direito de tomar as decisões nas nossas vidas, ambxs candidatxs, na busca desmedida pelo voto, passam por cima, sem pestanejar, sobre nossos interesses. Após o posicionamento inicial de Dilma em favor da descriminalização do aborto, notou-se uma queda no número de intenções de votos favoráveis a candidata do PT, o que levou a especulação de que o aumento dos votos à candidata Marina Silva se deram em função da sua posição anti-aborto. Sendo esse o diferencial de Marina, os dois candidatos correm pateticamente atrás do voto destes eleitorxs, de uma forma suja e acima de tudo hipócrita. Dilma rapidamente mudou de opinião, figurando em palanques montados em igrejas ao redor do país e exibindo fotos junto ao Papa. Já Serra lê passagens da bíblia e se declara “pró-vida”. Ambxs não querem deixar dúvida de que são contra a descriminalização do aborto, nesta competição pra ver quem é x mais conservadorx. É a conveniência que dita o posicionamento político.

As mulheres que praticam o aborto, além de sofrimentos oriundos disso, são punidas, pois a lei considera o aborto um crime. Como feministas não nos sentimos confortáveis em apoiar nenhuma das candidaturas. Como anarquistas já rejeitamos o processo eleitoral, pois sabemos que votar tem o peso inverso ao proposto. Ao contrário do que a política partidária prega, de que votar é exercer a cidadania, o anarquismo percebe que votar só nos tira poder e o coloca nas mãos de unxs poucxs. Ao votar delegamos todo nosso poder por quatro longos anos àqueles que fizeram a promessa de nos representar.

Nós precisamos lutar com o que nós temos. Nossa força. Podemos sim alcançar melhores resultados mas somente se nos organizarmos e construirmos a mudança nós mesmos, todos os dias. A política verdadeira é a realidade de cada umx de nós, os desafios que enfrentamos e as soluções que vislumbramos. Ninguém sabe mais sobre as nossas demandas do que nós mesmxs! A política debatida a portas fechadas pelxs chamadxs representantes do povo não nos diz respeito!

Tirado do blog: Ação Anti Sexista