quarta-feira, 8 de setembro de 2010
EM DEFESA DA PALAVRA
E, até que enfim, agora haverá atualizações com mais frequência.
Nas longas noites de insônia e nos dias de desânimo, aparece uma mosca que dica zumbindo dentro da cabeça da gente: “Vale a pena escrever? Será que as palavras sobreviverão em meio aos adeuses e aos crimes? Tem sentido este ofício que a gente escolheu – ou pelo qual a gente foi escolhido?”
As pessoas escrevem a partir da necessidade de comunicação e comunhão com os outros, para denunciar aquilo que machuca e compartilhar o que traz alegria. As pessoas escrevem contra sua própria solidão e solidão dos demais porque supõe que a literatura transmite conhecimentos, age sobre a linguagem e a conduta de quem recebe, e nos ajuda a nos conhecermos melhor, para nos salvarmos juntos. Em realidade, a gente escreve para as pessoas com cuja sorte ou má sorte se sente identificado: os que comem mal, os que dormem pouco, os rebeldes e humilhados desta terra; que em geral nem sabem ler. Dentre a minoria alfabetizada, quantos dispõe de dinheiro para comprar livros?
Que bela tarefa de anunciar o mundo dos justos e dos livres! Que função mais digna esta de dizer não ao sistema da fome e das cadeias – visíveis ou invisíveis! Mas os limites estão a quantos metros de nós? Até onde os donos do poder nos dão permissão de ir?
A gente escreve para despistar a morte e destruir os fantasmas que nos atingem por dentro; mas aquilo que a gente escreve só pode ser útil quando coincide de alguma maneira com a necessidade coletiva de conquista de identidade. Ao dizer “sou assim” e assim me oferecer, acho que eu gostaria de, como escritor, poder ajudar muitas pessoas tomar consciência do que são. Enquanto instrumento de revelação da identidade coletiva, a arte deveria ser considerada matéria de primeira necessidade e não artigo de luxo. Entretanto, na América Latina, o acesso aos produtos de arte e cultura está vedado a maioria das pessoas.
A obra nasce da consciência ferida do escritor e se projeta ao mundo. Então, o ato de criação é um ato de solidariedade.
Acredito no meu ofício; creio no meu instrumento. Nunca pude entender porque escrevem estes escritores que vivem dizendo, tão cheio de si, que escrever não tem sentido num mundo onde as pessoas morrem de fome. Também jamais consegui entender os que convertem a palavra em alvo de fúrias ou um objeto de fetichismo. A palavra é uma arma que pode ser bem ou mal usada: a culpa do crime nunca é da faca.
Creio que uma função primordial da literatura latino-americana atual consiste em resgatar a palavra, que foi usada e abusada com impunidade e freqüência, para impedir ou atraiçoar a comunicação. “Liberdade é, no meu país, o nome de uma cadeira para presos políticos; chama-se “Democracia” a vários regimes de terror; a palavra “Amor” define a relação do homem com seu automóvel; por “Revolução” se entende aquilo que um novo detergente pode fazer em sua cozinha; “Glória” é o que um sabonete de certa marca produz; “Felicidade” é a sensação que se tem ao comer salsichas; “País em paz” significa, em muitos lugares da América Latina, “Cemitério em ordem”; e onde se diz “homem são” deveria se ler muitas vezes “Homem impotente”.
Ao se escrever, é possível oferecer o testemunho de nosso tempo e de nossa gente, para agora e para depois, apesar da perseguição e da censura. Pode-se escrever como que dizendo, de certa maneira: “Estamos aqui, aqui estivemos; somos assim, assim fomos”. Na América Latina, lentamente vai tomando força uma literatura que não ajuda os demais a dormir; antes, tira-lhes o sono; que não se propõe a enterrar nossos mortos; antes, quer perpetuá-los; que se nega a limpar as cinzas mas, em troca, procura acender o fogo.
Essa literatura continua e enriquece uma formidável tradição de palavras que lutam. Se é melhor – como cremos – a esperança à nostalgia, talvez essa literatura nascente possa chegar a merecer a beleza das forças sociais que mudarão radicalmente o curso de nossa história – mais cedo ou mais tarde, por bem ou por mal. E quem sabe ajude a guardar, para os jovens que virão, “o verdadeiro nome de cada coisa” – como dizia o poeta.
Eduardo Galeano
Tirado do Informativo NOVA HUMANIDADE do Coletivo Ascaso, Ano I, número 1, Junho de 1999.
Beijos e abraços livres a tod@s.
Espero que tenham gostado.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Racismo no Futebol

Parte da torcida do Lokomotiv de Moscou levou uma faixa nazista ao estádio para "comemorar" a saída do atacante Peter Odemwingie, negociado com o West Brom nesta temporada. Os torcedores pintaram uma banana e a frase "Obrigado, West Brom". Em outra faixa, a ofensa era: "Peter, obrigado por não estar mais conosco".
Inacreditável.
Fonte parcial: Globo Esporte
Imagem: The Sun
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
O Caso Bradley Manning

O soldado e analista de inteligência do exército dos EUA, Bradley Manning, está preso, desde Maio, por supostamente ter vazado o vídeo "Assassinato Colateral" e outros documentos secretos do exército para o site Wikileaks. Bradley foi transferido da prisão militar no Kuwait para a Base Quantico Marine Corps Base, no estado de Virginia, EUA.
Pessoas de diversas partes do mundo estão trabalhando para formar uma rede de apoio ao soldado. Este grupo de indíviduos, veteranos contra as guerras, organizações etc. formaram a Rede de Apoio a Bradley Manning. A Rede conta com o apoio do site Wikileaks.org e vem trabalhando junto com parentes de Bradley para conseguir os melhores advogados civis para ele e também um fundo de defesa para cobrir gastos com o processo.
"Se Manning é a fonte do vídeo, então ele fez o que tinha que fazer para expor um possível crime de guerra. Então, independente disso, ele está preso injustamente e nós queremos fazer o possível para apoiá-lo", disse Jeff Paterson, Diretor do Projeto Courage to Resist (Coragem de Resistir) que apoia militares opositores à guerra. O próprio Jeff Paterson foi o primeiro soldado a recusar-se a lutar na Guerra do Golfo no Iraque em 1990. "Eu sei, da minha experiência trabalhando com objetores militares, que o apoio público e a equipe certa de defesa civil pode ser a diferença entre receber baixa e anos na cadeia".
No dia 27 de Julho, a Rede publicou um comunicado de imprensa avisando que apartir daquele dia estariam recebendo doações para o fundo de defesa de Bradley. A estimativa de quanto eles precisam é de entre US $80.000 à US $200.000 para cobrir taxas legais e despesas necessárias para montar uma defesa vigorosa em nome de Bradley. Para fazer doações visite: Courage to Resist.
A Rede também está trabalhando em conseguir apoio internacional para o caso. Para isso é muito importante a ajuda com traduções do Inglês para outras línguas. Interessados envie um email para toya_@_linefeed.org (tire o '_' antes e depois do arroba). Se você quiser apoiar Bradley Manning, coloque no seu site o banner publicado neste editorial, você pode fazer com que a imagem seja um link para a página de doações.
Mesmo com todo esse trabalho sendo feito, a Rede de Apoio a Bradley Manning e a Wikileaks vem sofrendo ataques por parte de Adrian Lamo e outros sites na Internet. Pubicações falando que Bradley Manning tinha sido abandonado pela Wikileaks, de que não havia uma defesa para o soldado ou sugerindo que ambos os grupos estavam querendo 'mamar' doações são factóides criados para tentar atacar a imagem da Wikileaks e prejudicar Bradley. Leia a carta pública de Jeff Paterson, do Projeto Courage to Resist responsável por receber as doações, respondendo algumas dessas acusações: Fundo de Defesa do Bradley Manning - Perguntas e Respostas.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
segunda-feira, 26 de julho de 2010
O QUE UMA BANDA PODE FAZER PELA REVOLUÇÃO?

Essa pergunta citada pelos caras da Lumpen também ficou ‘martelando’ em minha cabeça durante muito tempo, muito tempo mesmo. E acho que hoje eu já tenho uma resposta.
Durante muito tempo me questionei sobre fazer ou não uma banda, queria encontrar todas as respostas de minhas perguntas, queria saber as vantagens e desvantagens, queria saber se o que eu queria falar seria ouvido por muitos, queria saber se conseguiria revolucionar através da música.
Hoje estou feliz por ter organizado a banda e até hoje ela está na ativa, hoje tenho as respostas para as perguntas.
A resposta de tudo está em você, a revolução começa em você, pra depois passar para tod@s. e o mais bonito disso tudo é você observar as mudanças. Começo por mim, mudei muito, e acho que isso foi uma questão de evolução... Tudo o que sou hoje, todas as mudanças que eu sofri foi um processo de evolução, que só foi permitido por causa da Exclusos.
No momento em que fui mudando, tudo o que acontecia comigo tentava passar para as músicas, e aí fiquei mais feliz, porque pude notar as mudanças nas pessoas.
A Exclusos permitiu uma mudança incrível, e acredito que isso não foi somente na minha vida, e sim na de tod@s que nos cerca. Amizades novas, ideologias novas, vivencias novas, leituras, pesquisas, troca de informações.
Observar o antes e o depois de cada um(a) que nos cerca permite nos dizer o que uma banda faz pela revolução.
E aí que está a resposta de tudo... Você! A revolução está em você. A mudança começa de você. Mude, pra depois mudar os outros!
Espero que a mensagem que eu quis passar nesse post vocês entendam e que a mensagem que queremos passar nas letras da Exclusos vocês tomem para si.
Essa postagem é para tod@s que direta ou indiretamente fazem parte da Exclusos. Pra vocês que acreditam na gente!
Beijos e abraços a tod@s e viva a revolução!
terça-feira, 13 de julho de 2010
Humanos, não

Eu não acho que somos tão próximos assim dos macacos. Sempre nós achamos no
topo da criação como anjos decaídos, seres espirituais, animais racionais e,
embaixo de nós, a tigrada. A macacada toda.
Não é o que pensa um filósofo como Nietzsche que considera o pensamento ou a
linguagem apenas um mecanismo de defesa como garras, veneno de cobra ou
cheiro de gambá.
Lacan nos considera bichos com defeito de fábrica, com um buraco entre nós e
a natureza que tentamos preencher com a linguagem, mas mesmo sem papo
cabeça, vamos ver.
Macaco mata sem motivo? Macaco se acha superior. Macaco até mete a mão na
cumbuca, mas não rouba o dinheiro público. Macaco não mente, não inventa
deuses e, pelo que se sabe, não há macacos-bomba, nem macacos com orçamento
militar de R$ 500 bilhões.
Macaco rouba filhote de homem para vender ou por no jardim zoológico como
fazemos com os chimpanzés? Fazer um up grading de macaco não ajuda a impedir
sua extinção.
Macacos são bichos felizes, sem neuroses, integrados a natureza. Não podemos
nos comparar a eles. Seria uma injustiça com os chimpanzés. Se eles
falassem, diriam: Humanos, não.



